Nos Açores, o associativismo não é um detalhe. É uma base. É uma das formas mais genuínas de construir comunidade, de apoiar quem precisa, de criar oportunidades para os jovens e de manter vivas as nossas tradições.
Em todas as ilhas, há associações que fazem acontecer. E no centro de tudo isto estão pessoas. Pessoas que dão o seu tempo, a sua energia e muitas vezes até os seus próprios recursos, sem pedir nada em troca.
Como é referido no preâmbulo do diploma, falamos de dirigentes que conciliam a vida profissional, familiar e associativa, muitas vezes com poucos meios, mas com um enorme sentido de missão. São eles que garantem que as associações funcionam e que os projetos saem do papel.
Mas há uma verdade que não podemos ignorar.
Embora sejam voluntários, não podemos exigir tudo de pessoas que já dão tanto de si.
Não podemos continuar a assumir que o associativismo vive apenas da boa vontade. Porque essa boa vontade tem limites. E quando esses limites são ultrapassados, quem perde não são só os dirigentes, são as próprias associações e as comunidades que delas dependem.
É por isso que o Estatuto do Dirigente Associativo Voluntário faz sentido.
Não resolve tudo, mas dá um passo importante. Garante que ninguém é prejudicado no trabalho por exercer funções associativas, cria um crédito de horas que permite conciliar responsabilidades e reconhece que este papel merece proteção e respeito.
Prevê também formação, apoio jurídico e incentivos para que as entidades empregadoras valorizem quem assume estas funções. No fundo, cria condições mínimas para que o associativismo continue a existir com força.
Porque valorizar os dirigentes associativos é valorizar os Açores.
É reconhecer que grande parte do que somos enquanto Região se constrói no trabalho voluntário, muitas vezes invisível, de quem está no terreno todos os dias.
Se queremos comunidades mais fortes, mais participativas e mais solidárias, temos de começar por dar condições a quem as constrói.
Este Estatuto é um passo nesse caminho.Um passo simples, mas justo.
Porque quem já dá tanto aos Açores não pode ser tratado como se tivesse sempre de dar ainda mais.